Distopia cultural

Trailer do livro Rhea Kûara e o Folclore Tétrico

Tenho quase certeza de que, se você assistiu ao vídeo acima antes de continuar a ler o texto, teve mais perguntas do que respostas. Eu explico: surgido na minha timeline no YouTube, a palavra Folclore foi a responsável por me segurar por 1:38!

Há alguns meses expus meu descontentamento com a postura governamental, com relação ao descaso com obras que fazem parte da nossa cultura. Se não leu, clica aqui que eu te levo. E considerando que nosso amigo Google adora investigar nosso histórico de pesquisas, era questão de tempo para ele me sugerir itens relacionados. E dentre tantas opções que eu já conhecia, este me surpreendeu positivamente.

Numa rápida pesquisa por este nome, descobri que se tratava de um livro de ficção fantástica, chamado Rhea Kûara e o Folclore Tétrico. Apesar de ter opções de venda física e digital, há uma opção gratuita para download (somente o primeiro capítulo, cerca de 30 páginas).

Não esperava que 30 páginas de um livro de internet fosse me prender, mas confesso que estava enganada. As páginas voaram em poucos minutos e tão logo, eu estava ali num vazio querendo saber onde raios aquela história estava me levando. Cadê o Folclore? O Saci? O Curupira?

Não tive escolha. Comprei.

Embora eu tenha um kindle, uso-o apenas para viagens ou translado que me consumam mais de 1 hora de letargia. Para fins, digamos, doméstico, gosto do bom e velho papel, um chá ao lado e meus pés na almofada (com meias para roçar uma na outra).

A princípio, não é barato (R$ 49,98), mas são 272 páginas. Logo, se somente 30 me segurou, acreditei que valia o investimento nas outras 242.

Sem dar spoiler e acabar com a experiência, o livro é incrível! Os pedaços soltos no início vão se encaixando no decorrer da trama de forma suave, da mesma forma que o tema folclore é introduzido. Quando você se da conta, já passou da metade da história. O que eu não esperava (e me surpreendeu) foi o aprofundamento nas raízes indígenas, afinal, muito do nosso folclore é subversão dos jesuítas as histórias nativas. E o livro trata isso de forma super criativa, convincente e instigadora. Não sei dizer a quantidade de vezes que larguei o livro para pesquisar no Google sobre a veracidade de algo.

Se estiver afim de algo “diferente” para ler, dê uma chance para esse livro. Literatura nacional, com foco em nossas lendas e num desfecho que se equipara a bons outros livros do gênero.

PS: quando terminar de ler tudo, feche o livro e analise-o novamente (capa, contracapa e orelhas). #ficadica

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